Método Histórico: Características, Estágios, Exemplos

O método histórico ou a investigação histórica é um processo de pesquisa usado para reunir evidências de eventos ocorridos no passado e sua subsequente formulação de idéias ou teorias sobre a história.

Ele inclui várias regras ou técnicas metodológicas para analisar dados relevantes de um tópico histórico, permitindo ao pesquisador sintetizar as informações para construir um relato coerente dos eventos ocorridos no episódio que está sendo estudado.

O estudo da história é muito mais complexo do que simplesmente memorizar nomes, datas e lugares. Requer, em certa medida, uma abordagem semicientífica durante todo o curso para assegurar a maior confiabilidade possível do relato histórico.

Requer a formulação de uma hipótese baseada na evidência do evento a ser estudado e deve servir de verificação para que as conclusões finais sejam o mais objetivas possível. O pensamento crítico do pesquisador desempenha um papel fundamental nesse particular.

Historiadores antigos como Heródoto estabeleceram uma base inicial para os métodos usados ​​pelos modernos pesquisadores históricos, mas a comunidade começou a desenvolver uma metodologia sistemática baseada em convenções e técnicas aceitas que datam do final do século XVIII em diante.

Etapas do método histórico

Heurístico

Este método trata da identificação de material relevante a ser utilizado como fonte de informação. A evidência histórica pode existir de várias maneiras; os dois mais importantes e validados são as fontes primárias e secundárias.

As fontes primárias podem ser documentos legais originais, artefatos, registros ou qualquer outro tipo de informação que foi criada no momento do estudo. Em outras palavras, é informação em primeira mão.

Se uma guerra está sendo estudada, fontes primárias incluiriam cartas escritas pelos soldados para suas famílias, diários pessoais, documentos militares, textos de testemunhas oculares, fotografias, uniformes, equipamentos, cadáveres, entre outros; e se existente, áudio ou vídeo gravado ao vivo.

Fontes secundárias envolvem a análise de fontes primárias geralmente preparadas por pessoas qualificadas como historiadores, sociólogos ou cientistas. Livros, revistas ou trabalhos de pesquisa são exemplos comuns de fontes secundárias.

Em muitos casos, a tradição oral é levada em conta como fonte (primária ou secundária, dependendo do tipo de estudo). Essas histórias são transmitidas verbalmente de uma geração para outra e são consideradas uma fonte importante para estudar grupos étnicos que não desenvolveram nenhum tipo de documentação escrita.

Crítica

Consiste no processo de avaliação das fontes que serão utilizadas para responder a questão do estudo. Envolve determinar sua autenticidade, integridade, credibilidade e contexto; desde discursos políticos até certidões de nascimento.

Nesse estágio, todas as perguntas são feitas e todas as técnicas necessárias são aplicadas para descartar evidências desnecessárias ou não confiáveis:

Quem escreveu, disse ou produziu? Quando e onde? Por quê? Como as evidências foram feitas originalmente? O que isso diz sobre o tópico? Isso reflete alguma perspectiva em particular? É confiável? Você tem credenciais ou

Fontes como documentos devem passar por um processo abrangente de contextualização: as circunstâncias sociais de sua elaboração, razões políticas, público objetivo, histórico, inclinações, etc.

Outros tipos de fontes, como artefatos, objetos e evidências forenses, são geralmente avaliados sob os olhos de outras disciplinas, como antropologia, arqueologia, arte, economia, sociologia, medicina ou ciências exatas.

Síntese e exposição

É a abordagem formal feita pelo pesquisador de acordo com os dados resultantes do passo 1 e do passo 2. Ou seja, após analisar toda a informação, procedemos a lançar as conclusões do estudo que respondem à questão inicial.

A coleção de fontes e sua avaliação subseqüente podem ser verificadas, se você quiser, sob métodos semi-científicos sistemáticos (com certas adaptações). Mas as conclusões e narrativas da história derivadas do estudo estarão sempre sujeitas à subjetividade do pesquisador.

Deve-se notar que este é o elemento no qual a comunidade científica tende a rejeitar a história, classificando-a como insubstancial. Neste particular, os historiadores não procuram trabalhar para uma proposição absoluta sobre o que definitivamente aconteceu no passado.

Sua abordagem, em vez disso, tenta apresentar suas conclusões sob os argumentos que melhor explicam o fato histórico; isto é, apoiado pela maior quantidade de evidências e pelo menor número de suposições.

O que uma investigação histórica deve responder?

Todo estudo de algum fato histórico geralmente começa com uma questão. Perguntas sobre "Como?" Ou "Por quê?" Aconteceram no passado, ou algum outro tipo de pergunta analítica ou reflexiva, são as mais apropriadas para direcionar o processo para entender a história.

Questões descritivas como "Quem?", "O quê?", "Onde?" E "Quando?" Servem para estabelecer o contexto histórico, mas não oferecem conclusões históricas profundas. A chave está na capacidade do pesquisador de usar os dois tipos de perguntas e, assim, conduzir um estudo histórico melhor.

Considere o seguinte exemplo: as mulheres eram os principais alvos da caça às bruxas na Europa. Questões descritivas sobre o assunto poderiam ser "Onde a caça às bruxas aconteceu?", "Quando começou e terminou?" Ou "Quantas pessoas foram acusadas de feitiçaria (homens e mulheres)?".

As questões analíticas para o estudo poderiam ser "Por que o fenômeno da feitiçaria foi orientado para a população feminina? Ou "Como esse fenômeno ilustra a identidade de gênero para os primórdios da Europa moderna?"

Em conclusão, é necessário conhecer as pessoas envolvidas, os lugares, as datas e os eventos para construir o contexto social e, assim, ser capaz de compreender as circunstâncias e os motivos que desencadearam esse evento histórico.

Diz-se que os historiadores criam o passado na forma de narrativas coerentes graças ao processo de responder às perguntas feitas.

Passos a seguir para conduzir uma investigação histórica

Baseado nos estudos de Busha, Charles e Stephen P. Carter (1980)

1- O reconhecimento de um problema histórico ou a identificação de uma necessidade de um conhecimento histórico particular.

2- A coleta de tantas informações relevantes quanto possível sobre o problema ou tópico.

3- Se necessário, a formulação de uma hipótese que explica experimentalmente a relação entre fatores históricos.

4- A organização rigorosa de todas as evidências e a verificação da autenticidade e veracidade das fontes.

5- A seleção e análise das evidências mais relevantes e a elaboração das conclusões.

6- O registro das conclusões em uma narrativa significativa.

Exemplos de pesquisas baseadas no método histórico

Fed by Fear: a cruzada do FBI contra Fred Hampton e os Panteras Negras

É uma obra escrita por Sam Bouman, da St. Ignatius High School, que relata os fatos de um dos mais importantes casos de pesquisa da história dos Estados Unidos.

Sam Bouman expõe os fatos que levaram à morte, em 1969, de Fred Hampton, presidente da filial do Partido dos Panteras Negras de Illinois, em Chicago, após a operação do programa de contra-inteligência COINTELPRO, do Federal Bureau of Investigation (FBI).

O estudo investiga a vida de Fred Hampton, como ele se torna presidente do ramo do Partido dos Panteras Negras e como isso acaba sendo um fator de risco para o FBI.

Sua investigação expõe como as atividades da COINTELPRO incluíram a intervenção de telefonemas, incursões, cartas anônimas, infiltração do Partido dos Panteras Negras e até assassinato, entre outros fatos.

Naquela época, a polícia declarou que as mortes foram o resultado de um confronto com os membros do Partido dos Panteras Negras.

No entanto, após as provas apresentadas, uma árdua investigação e julgamentos foram capazes de demonstrar que era uma execução.

O sector das tecnologias de informação e comunicação em Espanha no contexto europeu: evolução e tendências

Os autores são Sandra Sieber e Josep Valor, especialistas em sistemas de informação.

Uma investigação é feita sobre como o setor das novas tecnologias de informação e comunicação na Espanha está localizado.

Este estudo faz parte do projeto Negócios e Tecnologias de Informação, que executa indicadores globais que descrevem as mudanças das empresas do setor e faz um estudo das mudanças que vêm ocorrendo nos últimos anos.

Além disso, através deste estudo as mudanças são avaliadas e prevê a evolução das tecnologias de informação e comunicação no futuro.

Pesquisa histórica no trabalho social: teoria e prática

A autora desta pesquisa é Marie Špiláčková, que fornece uma visão sobre os recursos que devem ser usados ​​para realizar a pesquisa histórica que é aplicada no trabalho social.

A autora compartilha em sua pesquisa exemplos de outras investigações que abordam diferentes estudos de história e trabalho social.

Ele expõe aspectos relevantes de como ele se desenvolveu ao longo do tempo e onde está hoje. Também apresenta os resultados da história da assistência social e trabalho social na República Checa.

As guerras pela nação na Colômbia durante o século XIX

O autor deste estudo é María Teresa Uribe de Hincapié. Aplicando métodos de pesquisa, esse professor faz um trabalho exaustivo da história das guerras e da violência na Colômbia.

Uribe é professor titular da Universidade de Antioquia. Para o autor, é necessário explorar os eventos ocorridos na Colômbia no século XIX para compreender os conflitos que se apresentam no presente.

Poderia engenharia genética salvar as Galápagos?

O autor, Stephen S. Hall, está fazendo um trabalho de pesquisa para saber se é possível salvar espécies ameaçadas de extinção nas Ilhas Galápagos, por meio de manipulação genética.

A pesquisa sugere que nas Ilhas Galápagos espécies invasoras (plantas, insetos, aves e mamíferos) deslocaram as espécies nativas, que atualmente geram muitas espécies em perigo de extinção.

Nesse sentido, surge uma investigação que propõe realizar um experimento com camundongos que utiliza manipulação genética através da alteração da herança sexual, para acabar com as espécies estrangeiras.

No entanto, surgem questões sobre os riscos gerados pelo experimento e se ele será realmente eficaz. A pesquisa procura determinar se é viável e se faz uma revisão dos estudos realizados por Charles Darwin.

Aspectos históricos do pensamento contábil: desde os primórdios até o paradigma da utilidade

Este estudo foi realizado pelas pesquisadoras María Teresa Méndez Picazo e Domingo Ribeiro Soriano.

O estudo mostra a evolução histórica da contabilidade e como ela mudou de acordo com as necessidades atuais dos usuários.

Os autores abordam as etapas da evolução do pensamento contábil: desenvolvem aspectos de suas origens e como estão vinculadas ao comércio desde a antiguidade.

História e evolução da comunicação

Fabiola Delgado Umaña realiza este trabalho, que investiga como a comunicação evoluiu em seres humanos desde as primeiras descobertas até o presente.

Avalia o comportamento em diferentes culturas, tipos, elementos básicos e fatores que intervêm nos processos de comunicação.

História da metodologia de ensino de línguas estrangeiras

Miguel A. Martín Sánchez baseia-se na evolução histórica dos métodos de ensino de línguas estrangeiras, especificamente os modernos e o ensino do espanhol, que foram usados ​​desde a Idade Moderna até o presente.

Ideologias políticas na América Latina no século XX

Luis Armando González explora o nacionalismo, o antiimperialismo, o nacionalismo revolucionário e o socialismo-comunismo presentes na América Latina no debate político durante o século XX, e que faliram como projetos de transformação social.

González concentra-se na ideologia socialista-comunista e inicia sua jornada pela realidade latino-americana desde os anos vinte e trinta.

O autor detalha aspectos importantes da ideologia socialista-comunista, que é considerada a mais importante e que desperta uma paixão sem limites em seus seguidores.

Referências