10 movimentos sociais no México do presente

Os movimentos sociais no México surgiram desde o início do século XXI até hoje, prontos para lutar pelos direitos sociais, políticos, econômicos e culturais, principalmente dos cidadãos.

No entanto, todos e cada um deles têm suas raízes no turbulento passado do século XX, onde a nação mexicana experimentou grandes mudanças desde o triunfo da Revolução Mexicana de 1910.

Desde então, o México tem seguido uma história ininterrupta de protestos e mobilizações sociais que permitiram livrar-se não apenas da ditadura de Porfirio Diaz.

Foi possível melhorar a educação pública, decretando-a de forma gratuita e compulsória, e iniciar uma série de reformas que levaram à criação da PEMEX (empresa de Petróleos Mexicanos), ao estabelecimento do voto feminino, à assinatura do Tratado de Livre Comércio e à chegada de poder do Partido da Ação Nacional.

Na primeira metade do século XX, os movimentos camponeses, operários e sindicais levantaram suas vozes: atualmente, os movimentos sociais mexicanos conseguiram constituir um verdadeiro esforço coletivo no qual foram incluídas as lutas pelos direitos de todas as classes sociais.

Principais movimentos sociais mexicanos hoje

1- Movimento "Nossas filhas de volta para casa"

Formado por parentes e amigos de mulheres jovens que foram assassinadas ou estão desaparecidas no estado de Chihuahua.

O movimento surgiu em 2001, quando 5 jovens desapareceram dentro de um período de dois meses em Chihuahua.

O movimento é formado por profissionais e defensores de direitos humanos que lutam por justiça, visibilidade e denúncia de feminicídios, e ao mesmo tempo dão apoio às famílias das mulheres desaparecidas.

O objetivo do movimento é proteger os direitos das mulheres mexicanas, já que, segundo dados do Observatório Nacional do Cidadão Feminicídio, entre 2013 e 2014, seis mulheres foram assassinadas diariamente no México.

Os estupros, mortes e desaparecimentos constantes tornaram-se uma realidade terrível para aqueles que vivem em Ciudad Juárez e Chihuahua, onde ser mulher significa viver em perigo de morte.

Estima-se que desde 1993 mais de 600 meninas e mulheres foram assassinadas em Ciudad Juárez.

As vítimas geralmente são mulheres de baixa renda, estudantes, trabalhadores e funcionários de maquiladoras (fábricas e centros de montagem de empresas estrangeiras que operam no México).

O movimento Nossas filhas de volta ao país lutam constantemente para denunciar a violência de gênero e solicitar ajuda do Estado.

2- Movimento dos cidadãos pela justiça 5 de junho

Data de 5 de junho de 2009, é formada por pais e representantes que perderam seus filhos naquele dia, como resultado de um terrível evento em que 49 bebês morreram após o berçário em que foram incendiados.

A creche ABC, localizada em Hermosillo, Sonora, não tinha os requisitos mínimos de segurança e proteção civil, o que significava que o incêndio não poderia ser controlado.

O viveiro pertencia ao Instituto Mexicano de Seguridade Social, que permitia às instituições definir os padrões do local em relação à segurança e à creche.

A creche ABC não dispunha dos meios necessários para enfrentar uma emergência de tal magnitude, por isso os pais originaram o movimento com o objetivo de obter justiça para o ocorrido.

Oito anos se passaram e as autoridades não condenaram ninguém pelas ações, apesar do fato de que a cada ano o movimento realiza diferentes ações para atrair a atenção nacional e internacional através de passeatas, festivais culturais, ciclos de conferências informativas, palestras de apoio e apoio. trabalho legal.

Atualmente, eles continuam lutando para que os envolvidos recebam uma punição criminal em diferentes instâncias internacionais e locais.

3- Movimento pela paz, com justiça e dignidade

É um movimento que nasceu como resposta da sociedade civil mexicana à violência sofrida pelo país como resultado da guerra contra o narcotráfico.

O movimento começou em 26 de abril de 2011, quando o poeta Javier Sicilia pediu aos mexicanos que se manifestassem contra a violência causada por grupos criminosos e forças de segurança do Estado.

O poeta começa o movimento na esteira da morte de seu filho nas mãos do crime organizado.

Os principais objetivos do movimento são:

  • Esclarecer assassinatos e desaparecimentos
  • Acabar com a estratégia de guerra e adotar uma abordagem de segurança do cidadão
  • Combater a corrupção e a impunidade
  • Luta contra o produto do crime
  • Prestar atenção aos jovens envolvidos
  • Estabelecer uma verdadeira democracia participativa.

O movimento continua sua luta hoje, defendendo os milhares de desaparecimentos que ocorrem no México ano após ano.

Escritores de 4 movimentos para Ciudad Juárez

O movimento surgiu após a morte da poeta, ativista e defensora dos direitos humanos Susana Chávez, que foi encontrada assassinada e mutilada em Ciudad Juarez em 6 de janeiro de 2011.

Após o trágico evento, diferentes escritores organizaram e iniciaram um movimento cultural que ainda é válido hoje.

Pretende praticar a cultura permanentemente através da recuperação de espaços públicos ocupados por criminosos, o uso de redes sociais e blogs, e a realização de leitura constante em fóruns, cafés, ônibus, bibliotecas e escolas.

O movimento continua ativo e leituras e reuniões diferentes já foram realizadas em mais de 170 cidades em 26 países da América, Ásia, Europa e África.

O ideal é e ainda é promover a leitura como forma de protesto e luta contra a violência e principalmente a violência de gênero no México e no mundo.

5- Movimento LGBTTTI

Desde 1971, o movimento de lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis, transexuais e intersexuais (LGBTTTI) fez parte das mobilizações da esquerda mexicana contra a repressão do governo.

Um ponto de inflexão com o qual eles conseguiram consolidar-se como um verdadeiro movimento no país, foi com a celebração em 1979 da primeira marcha do orgulho homossexual no México.

Desde então, tem sido graças à pressão constante de grupos como a Frente Homossexual de Ação Revolucionária ou o Grupo de Libertação Homossexual, que o movimento LGBTTTI se tornou uma parte importante da política e da sociedade mexicana.

Um de seus principais marcos foi que foi possível aprovar na sessão plenária da assembléia constituinte em janeiro de 2017 o reconhecimento da igualdade de direitos das famílias formadas por pessoas LGBTTTI e igual casamento civil.

No entanto, apesar das muitas vitórias obtidas pelo movimento, a discriminação baseada na orientação sexual é um problema diário do México, e é por isso que ainda há um longo caminho a percorrer na luta pelo respeito à diversidade sexual.

Associações como a Rainbow Foundation no México continuam trabalhando para melhorar a situação dessa minoria em risco de exclusão social.

6- Movimento "Vamos salvar o Wirikuta"

Considerado um dos movimentos ecológicos mais importantes do México. Surgiu com o objetivo de lutar pela proteção de Wirikuta, cidade localizada no estado de San Luis de Potosí que, além de ser uma reserva natural de grande riqueza, é o território sagrado do povo Wixarika.

Acredita-se que esta zona é a matriz da vida dessa cidade e toda a sua cultura, que consideram Wirikuta como o sagrado coração do México.

Desde 2005, o governo mexicano concedeu concessões a empresas estrangeiras para explorar recursos minerais em áreas que são até mesmo áreas naturais protegidas.

Isso causou o alarme e descontentamento da sociedade civil e grupos ambientalistas que hoje lideram o movimento "Salve Wirikuta".

7- Movimento # yoSoy132

O movimento, de grande fama internacional, surgiu em 2012 quando o atual presidente mexicano Enrique Peña Nieto foi para a Universidad Iberoamericana e foi recebido com vaias e insultos.

No dia seguinte, a mídia anunciou que os manifestantes eram pessoas de fora da universidade e pagavam para estar no local.

Assim, os alunos, em sua totalidade, realizaram um vídeo nas redes sociais, esclarecendo que as manifestações foram feitas por vontade própria.

A partir de então, o número # yosoy132 foi utilizado em inúmeras redes sociais, e o movimento começou a se organizar em todo o México, realizando marchas de massa exigindo transparência e democratização da mídia, da educação e da economia. Um movimento que ainda está presente.

8- Movimentos para o caso de Ayotzinapa

O movimento surgiu em 2014, quando em uma série de protestos e manifestações entre a polícia municipal, o exército mexicano e os estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa, jornalistas e civis ficaram feridos, nove mortos e 43 estudantes desapareceram.

As famílias dos estudantes desaparecidos continuam exigindo que o Estado responda por esses desaparecimentos. No entanto, o governo e o exército permanecem em silêncio.

Daí a emergência desse movimento cujo objetivo foi informar a comunidade internacional e pressionar a sociedade civil mexicana por meio de numerosas marchas e atos de protesto.

O objetivo é fazer justiça e obter informações sobre o paradeiro desses 43 estudantes.

9- Movimentos magisteriais

Eles alcançaram grande altura entre os anos de 2015 e 2016, após a realização de protestos, marchas, confrontos com a polícia, bloqueios e sit-ins, com o objetivo de rejeitar as propostas de reforma educacional estabelecidas pelo presidente Enrique Peña Nieto.

Inúmeros líderes magisteriais foram presos, no entanto, movimentos continuam pressionando o governo.

10- Movimentos contra o gasolinazo

Surgiu no corrente ano de 2017 e realizado por diferentes sindicatos, sindicatos, ativistas e cidadãos com o objetivo de se opor ao "gasolinazo", ou seja, o aumento do preço da gasolina proposto pelo presidente Enrique Peña Nieto.